Mostrando postagens com marcador Busscar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Busscar. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Nazário quer eleição de comissão de fábrica na Busscar

A Câmara de Vereadores aprovou moção do vereador Moacir Nazário pedindo que seja eleita uma comissão de fábrica na Busscar, em Joinville. O documento votado na quinta-feira (19) é dirigido ao presidente do sindicato dos mecânicos de Joinville e ao diretor presidente da empresa. Ele pede que a possibilidade de eleição seja estabelecida por meio de um acordo coletivo de trabalho, que os funcionários estabeleçam regimento e funcionamento próprio e que haja garantia provisória de empregos.

A eleição de uma comissão de fábrica é garantida pela Constituição. Com ela os trabalhadores teriam a oportunidade de acompanhar a situação da empresa, com abertura da contabilidade do capital ativo e passivo.

Trabalhadores lotaram plenário da Câmara para discutir situação financeira da Busscar, em sessão especial, no dia 23/11

Busscar: o chão de fábrica deve falar mais alto

“Cada fábrica fechada é um túmulo de postos de trabalho onde são sepultadas as esperanças de uma vida digna. Um monumento à especulação e à voracidade capitalista. E junto com este desastre vem a revogação de leis e conquistas trabalhistas e previdenciárias que custaram muitas e longas lutas, muito esforço e mortes, ao povo trabalhador da cidade e do campo. Por isso, os trabalhadores têm o direito de ocupar as fábricas para manter a civilização funcionando com a dignidade que querem lhe retirar.” Tal posição foi afirmada na Carta aos Trabalhadores Brasileiros, adotada por unanimidade na Conferência Nacional em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Terra e do Parque Fabril Brasileiro, realizada em outubro de 2003, em Joinville, e patrocinada pelos trabalhadores das empresas ocupadas Cipla, Interfibra e Flaskô.

Tais palavras tornam-se ainda mais relevantes no atual momento em que Joinville acompanha a situação da Busscar, uma das principais empresas de carrocerias de ônibus da América Latina. Desde julho ela volta a passar por muitas dificuldades, pois mantém em licença remunerada cerca de 70% de seu quadro pessoal, hoje ao redor de 6 mil funcionários.

Ninguém quer ou espera que aconteça, mas é preciso alertar que a falta de uma folha de pagamento mensal de R$ 6 milhões será um corte profundo nas condições de vida dos trabalhadores envolvidos e de seus familiares, assim como para a economia de Joinville.

A seriedade dessa situação vai além do quadro funcional da empresa. Cálculos do setor metal-mecânico dão conta de que, para cada posto de trabalho fechado nesse ramo, quatro empregos indiretos são cortados em cadeia. Dessa forma, o desemprego que provocaria o fechamento de uma indústria do porte da Busscar atingiria 24 mil pessoas ao redor e teria conseqüência direta em pequenas e médias empresas.

A resolução desse problema é a responsabilidade a que estão chamados não apenas os gestores do empreen-dimento fabril, mas também os gestores públicos, responsáveis pelo bem estar do povo.

Os fatos e a situação em seu conjunto são muito claros. Para nós, o início da solução poderia ser a eleição livre, direta e secreta de uma Comissão de Fábrica entre todos os funcionários da Busscar, coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores, dotada de estabilidade no emprego, que abra a contabilidade da empresa e passe a controlar sua recuperação.

A direção da empresa patrocinou uma crise em 2004, levantou-se com dinheiro do BNDES e mais uma vez se abate. Recentemente vendeu a recreativa Grenil pela metade do preço avaliado para conseguir pagar a segunda metade dos salários de outubro. É hora de os trabalhadores tomarem seus destinos em suas próprias mãos.